Integralização do Brasil no Banco Asiático de Investimento pode garantir financiamento para combater o COVID-19

By on 23 de Abril de 2020 0 267 Views

A integralização do Brasil no Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) poderia garantir mais uma fonte de financiamento para projetos de recuperação ante a crise da COVID-19, disse Sérgio Gusmão Suchodolski, presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, ao conceder na quarta-feira uma entrevista à Xinhua.
O Brasil depende agora da aprovação do Congresso nacional para ratificar o Acordo Constitutivo do BAII. Somente desde dezembro, o tema já esteve em pauta no plenário da Câmara em oito oportunidades, mas acabou não sendo votado em meio a outros projetos. O banco, lançado em Beijing em 2016, tem uma estrutura de capital subscrito de US$ 100 bilhões e 75 países membros, além de outros 25 prospectivos.
Em carta enviada à Câmara dos Deputados, o banco destaca que análises recentes realizadas pela entidade destacam a correlação entre a qualidade da infraestrutura e o sistema de saúde, indicando que o desenvolvimento da COVID-19 já expôs a necessidade de preparo dos países ante o envelhecimento da população. Na carta, o presidente do BAII, que também preside o Conselho, Jin Liqun, expressa que o objetivo é trabalhar “em conjunto com o nosso quadro de parceiros para nos ajustarmos a esta nova realidade, fornecendo investimentos ampliados e direcionados para infraestrutura crítica e sustentável para proteger as pessoas que servimos as gerações que se seguem”.
Em carta ao Ministério da Economia, o BAII informou que havia estendido o prazo para a adesão brasileira, celebrada em acordo em 29 de junho de 2015, para 2022. Apesar de o Brasil ter confirmado que seria sócio fundador do banco, tal promessa nunca se concretizou. O prazo terminaria ao final de 2019, e por isso a prorrogação.
Segundo Sérgio Gusmão Suchodolski, a integralização do Brasil, uma vez aprovada, dependeria de um aporte de US$ 1 milhão. Um movimento que ele considera importante, dado que o BAII já anunciou um fundo de US$ 10 bilhões voltado à crise da COVID-19 a ser distribuídos a projetos selecionados nos próximos 18 meses.
Acho interessante a nova arquitetura financeira internacional e, entre os novos bancos, vejo o BAII muito dinâmico, ousado e internacionalizado. A União Europeia aderiu em massa ao banco, e há membros de todas as regiões, incluindo Irã e Israel, por exemplo – diz Gusmão, que já foi da diretoria de outro banco de fomento criado recentemente, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), cuja sede fica em Shanghai e que reúne os países do BRICS, a saber, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Após aprovação no plenário na Câmara dos Deputados, o projeto vai ao Senado e uma vez tendo o aval do Congresso, passa por sanção presidencial. A adesão brasileira tem apoio também da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), que reúne 30 bancos de fomento do país, incluindo o BNDES e entidades regionais.
O Brasil tem feito pouco uso de organismos de fomento multilaterais, que já têm anunciado valores muito altos para apoiar iniciativas. Nós ainda estamos tímidos, em um momento em que precisamos de recurso – acredita Gusmão.

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