MILAGRE…Pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus cura o Covid-19 com um grão de feijão

By on 24 de Mayo de 2020 0 248 Views

O pastor Valdemiro Santiago de Oliveira, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, começa a falar para a câmera da TV com sua já tradicional voz rouca. “Na ultima reunião de bispos e pastores apresentamos laudo médico de gente em estado terminal, gravíssimo de covid-19. E Deus operou e fez maravilha”. Nesse momento a tela do televisor aparece um homem com máscara exibe um suposto exame negativo para a doença. “O segredo da cura? Uma semente que ele chama “Sê tu uma bênção” trata-se de um grão de feijão com a frase “Sê tu uma benção” gravada, vendido por até 1.000 reais pelo pastor.
É contra esse tipo de iniciativa que profissionais de medicina de todo o mundo, cansados de enfrentar uma pandemia na linha de frente dos hospitais e ainda precisar lidar com fake news e desinformação nas redes sociais, lançaram uma campanha-manifesto para denunciar a “infodemia” na Internet. O manifesto, assinado por centenas de profissionais dos Estados Unidos, Itália e Brasil, e apoiado por entidades de classe como o Conselho Federal de Enfermagem, começa em tom de desabafo: “Nosso trabalho é salvar vidas. Mas neste momento, além da pandemia da covid-19, enfrentamos também uma infodemia global, com desinformações viralizando nas redes sociais e ameaçando vidas ao redor do mundo”. O vídeo do pastor Valdemiro foi alvo de uma ação do Ministério Público Federal em São Paulo, que pediu ao Google, empresa dona da plataforma de vídeos YouTube, retirasse o conteúdo do ar, alegando que “tal atitude pode auxiliar na crise epidêmica atual, fazendo alusão e ligação com suposto caso concreto de pessoa que teria se curado de doença causada pelo novo coronavírus”. A procuradoria não descarta ainda uma denúncia por estelionato contra o líder religioso. Mas este caso é uma exceção.
O manifesto dos profissionais de medicina pede que os CEOs do Facebook, Twitter, Google e YouTube façam a correção de erros nos posts de desinformação de forma retroativa.”Para isso, devem alertar e notificar cada pessoa que viu ou interagiu com desinformação sobre saúde em suas plataformas e compartilhar uma correção bem elaborada preparada por verificadores de fatos independentes”, diz o texto. Só assim as milhares de pessoas que foram expostas ao conteúdo enganoso poderão ter acesso aos dados científicos. Outra exigência feita aos gigantes da tecnologia é a de que reduzam drasticamente o alcance de posts com mentiras, removendo a “desinformação nociva e as páginas e canais de quem promove esse tipo de conteúdo”.
Por fim, o manifesto afirma que “as empresas de tecnologia que facilitaram a disseminação de ideias e que lucraram com ela têm o poder e a responsabilidade de conter a disseminação mortal de desinformação e fazer com que as redes sociais parem de adoecer as nossas comunidades”. Para salvar vidas e restaurar a confiança em cuidados de saúde baseados na ciência, “os gigantes da tecnologia devem parar de fornecer oxigênio às mentiras, fraudes e fantasias que ameaçam toda a humanidade”.
O surgimento de falsas curas milagrosas ou teorias conspiratórias envolvendo doenças não é nova, e nem exclusiva do novo coronavírus. “No Facebook, vimos alegações de que o dióxido de cloro ajuda as pessoas sofrendo de autismo e câncer; que milhões de cidadãos dos EUA tinham sido infectados com o ‘vírus do câncer’ por meio da vacina contra a pólio; que o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade tinha sido ‘inventado pela grande indústria farmacêutica’.
Uma vez plantada, a desinformação viaja e cresce rápido, como a fava milagrosa do pastor Valdemiro. É por isso que hoje se esta apelando aos gigantes da comunicação para que tomem imediatamente uma medida em conjunto para acabar com o fluxo de desinformação sobre a crise de saúde pública que este fluxo causou.

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