Oito funcionários da mineradora Vale são presos por crimes ambientais e rompimento da barragem de Brumadinho

By on 15 de Febrero de 2019 0 227 Views

Oito funcionários da mineradora Vale envolvidos no trabalho de monitoramento da estabilidade da barragem I, que rompeu em Brumadinho e deixou pelo menos 166 mortos e 155 desaparecidos, foram detidos provisoriamente na manhã desta sexta-feira em uma operação policial realizada em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Também foram realizadas buscas e apreensões de documentos nas casas de quatro funcionários da empresa alemã Tuv Sud, que produziu os últimos laudos de estabilidade da barragem.
As prisões provisórias visam apurar a participação e a responsabilidade dos oito funcionários no rompimento das barragens da Mina do Feijão. Os oito funcionários da mineradora deverão ficar presos por até 30 dias e poderão responder por homicídio, crime ambiental e falsidade ideológica, se as autoridades confirmarem as suspeitas dos investigadores.
O engenheiro Makoto Namba, que trabalha na empresa alemã Tuv Sud, relatou ter se sentido pressionado por ele a atestar a estabilidade da barragem que rompeu em depoimento à Polícia Federal obtido pelo G1.
Também está detido o gerente Joaquim Pedro de Toledo, que teria recebido um e-mail do geólogo Cesar Augusto Grandchump, que foi preso no início do mês e já foi libertado, sobre problemas de drenagem identificados por ele em junho do ano passado.
Além deles, foram presos Renzo Albieri Guimarães Carvalho, Cristina Heloíza da Silva Malheiros, Artur Bastos Ribeiro, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo, Hélio Márcio Lopes da Cerqueira e Felipe Figueiredo Rocha.
“Todos são diretamente envolvidos na segurança e estabilidade da Barragem I, rompida no dia 25/01/2019”, aponta a nota do Ministério Público de Minas Gerais, que solicitou as prisões à Justiça, sem identificar a função de cada funcionário no monitoramento da barragem. “As prisões temporárias foram decretadas pelo prazo de 30 dias, tendo em vista fundadas razões de autoria ou participação dos investigados na prática de centenas de crimes de homicídio qualificado, considerados hediondo. Todos os presos serão ouvidos pelo Ministério Público Estadual, em Belo Horizonte. Também são apurados crimes ambientais e de falsidade ideológica”, acrescenta a nota.
A mesma operação resultou em buscas de apreensões realizadas nas casas de quatro funcionários da empresa TÜV SÜD em São Paulo e Belo Horizonte: um diretor, um gerente e dois integrantes do corpo técnico. O nome desses funcionários não foram divulgados pelo Ministério Público. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da Vale, no Rio de Janeiro. Esses documentos serão analisados pelo MPMG.
As duas empresas envolvidas na operação policial foram procuradas pelo EL PAÍS. Em nota sobre as prisões de seus funcionários, a Vale diz que “está colaborando plenamente com as autoridades e permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”. Já a empresa alemã responsável pelos laudos de estabilidade, a TÜV SÜD, diz que “mantém sua posição de não comentar sobre as investigações”.
Outros três funcionários da Vale e dois engenheiros da TÜV SÜD já haviam sido detidos no dia 29 de janeiro para investigação em participação ou autoria nos crimes relacionados ao desastre de Brumadinho. Após uma semana presos, o Superior Tribunal de Justiça decidiu libertá-los por não oferecerem riscos à investigação. Os engenheiros Makoto Manba e André Jum Yassuda assinaram laudos feitos pela empresa alemã TÜV-SÜD em junho e setembro de 2018, garantindo as condições de segurança da barragem. Também assinou o laudo de estabilidade o geólogo César Augusto Paulino Grandchamp, funcionário da Vale. Os outros detidos à época foram os gerentes da mineradora responsáveis por regular o licenciamento e monitorar o funcionamento das estruturas da barragem: o gerente de meio ambiente, saúde e segurança da mineradora, Ricardo de Oliveira, e o gerente executivo operacional responsável pelo complexo minerário Paraopeba, Rodrigo Artur Gomes Melo.

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